segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Teologia do Corpo | Programa #03


Os dois serão uma só carne

UAU!!! Adão diante de Eva exclama com surpresa
"esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne"
O amor que une os dois é tal que se tornam UMA só carne.

Tal é a dimensão do amor humano! Deus não nos fez por menos. Fomos feitos para as coisas do ALTO!



sábado, 26 de novembro de 2016

Consciência familiar

A consciência é, por definição, pessoal, mas será que pode existir tal coisa como uma consciência familiar? Será que a consciência pessoal se forma no íntimo da pessoa ou no íntimo da família?

Creio que é no íntimo da família que a consciência se vai formando. A consciência não se pode formar livremente num ambiente de leis e normas, antes carece de um ambiente de respeito e de amor onde o sentido da existência vai sendo adquirido na partilha e na experiência.

A família é o berço do amor. 
A família que ama é o berço do espanto.
É só este espanto pode elevar o homem acima do universo e fazê-lo gritar: Quem sou?

A família é esse único lugar movido exclusivamente pelo amor. (ou apenas nessa circunstância havia de se chamar família).

É ali onde somos queridos por nós mesmos, apesar dos nossos defeitos e qualidades, que experimentamos o Amor-dom, o Amor-comunhão que nos desafia a crescer nas virtudes e no bem-comum.
Acredito profundamente que só este amor-dom pode formar um futuro médico ou um futuro professor com sentido de missão. Sem esta experiência de amor puro seriamos todos apenas profissionais movidos por dinheiro. E então como um médico apenas movido por dinheiro pode cuidar de um doente em fim de vida? Quanto é preciso pagar? 
Quanto é preciso pagar a um professor para educar os nossos filhos?
Por muito que o dinheiro seja necessário ele em si mesmo não acrescenta nada as nossas vidas.
Todos o usamos como meio de troca.

Educar no amor, preparar para o amor, é a mais bela missão da família. Aquilo que ela tem único é sublime. À volta desta missão todos são chamados a participar: pais, avós, tios, ...

Somos seres interdependentes. A nossa interdepencia grita acima do nosso egoísmo. Mas, a interdependência de que somos "dependentes" é aquela que só os relacionamentos de amor e amizade são capazes de construir. 
Onde pode o homem treinar os relacionamentos de amor senão na família?

Precisamos de famílias disponíveis para os relacionamentos pessoais e íntimos. Tecidos com fios de ouro. Construídos com tempo e estima, atenção e conversa, ternura e afeto.

Talvez seja este o maior drama da família hoje: a falta de tempo. 
Talvez seja precisamente este o maior desafio de cada um de nós, dedicar tempo. Tempo para a estima, para o abraço, para o beijo. Tempo para fazer companhia, para conversar, para pensar. Tempo para a ternura. Tempo para dizer amo-te.

Tempo para construir com fios de ouro essa consciência familiar que transforma seres-humanos em pessoas. Pessoas capazes de AMAR. 

E devia ser esse o nosso único grande objetivo: ser capaz de amar de forma total, livre e fiel. Ser capaz de amar de forma fecunda. Ser capaz de amar descobrindo no amor o filho que somos, o irmão que somos, o pai e a mãe que somos.

No final se a vida nos correr bem são essas as pessoas que mais desejaremos ver no céu.

E que consciência familiar precisamos afinal? 
Apenas de uma. Aquela que orienta o homem para a virtude e para o bem-comum. Aquela através da qual cada um de nós se eleva acima da sua própria e limitada existência e se faz amor para todos.

Aque

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Teologia do Corpo | Progrma #02

Homem e Mulher os criou

"O Amor é o berço do espanto."
Hoje há muitas pessoas à procura do que é misterioso... o mistério está para além de nós e em nós. 
O homem e a mulher, um diante do outro, descobrem e contemplam esse mistério escondido em seu coração desde sempre. Descobrem-no muito mais quando se relacionam numa entrega de amor esponsal, amor dom.

Neste programa conversamos com Padre Miguel Pereira sobre a imagem e semelhança inscritas no coração humano.



quarta-feira, 27 de abril de 2016

Teologia do Corpo | programa#1

O meu corpo não é uma coisa. O meu corpo é uma pessoa.
 O meu corpo sou eu.
"O corpo e só ele torna visível o invisível" S. João Paulo II 
A Canção Nova oferece-nos este presente, uma série de programas dedicadas à Teologia do Corpo. 
Para mim, é um presente de Deus, pelo qual sou grata, por me deixar servi-Lo assim... Peço a Deus que deste "nosso" pouco faça muito, para maior honra e glória do Seu nome, para nosso bem e da Igreja.



sábado, 2 de janeiro de 2016

Fazei tudo o que Ele vos disser

"Somos pedaços de um sonho, filhos do universo,
Somos das estrelas poemas, escritos num verso."

Jo 2, 1-5
Primeiro há este casamento.
Casamento de Adão e Eva; casamento de Cristo com a Igreja; e pelo meio este casamento de canã onde Jesus realiza o primeiro milagre.
O casamento de Adão e Eva é manchado pelo pecado. Eva deixa-se seduzir pela mentira, pela possibilidade de ser mais do que já é. Adão que acusa Eva:" a mulher que Tu me deste é que me fez pecar." Sedução, mentira e acusação continuam ainda hoje a ser causa de tanta dor, de tanto desentendimento e divórcio. Causa de tanto impedimento ao amor. Causa de tão grandes feridas.

O casamento de Cristo com a Igreja é esse grande casamento que todos desejamos: união total, livre, fiel e fecunda. Esse casamento livre de mancha, onde a união é perfeita. Onde o amor é verdadeiramente Esponsal, puro e imaculado.

Pelo meio vários casamentos vão decorando a Bíblia sempre nos ensinando passo-a-passo a realizar o casamento humano no plano divino.

Sara e Tobias que nos ensinam a vencer a morte com a oração em casal. A oração que pelo seu poder faz o amor (de Cântico dos Cânticos) ser mais forte que a morte.
E Canã que nos ensina a deixarmos Maria e Jesus tomarem parte e a intervirem em nosso casamento.

Maria, mãe solicita, que sabe o que nos faz falta mesmo antes de nós darmos conta disso.

O vinho: esse elemento que decora as nossas festas. Fruto do trabalho do homem. Trabalho de perícia, paciência, paixão e empenho. Trabalho de aperfeiçoamento. Trabalho conjunto do homem com a natureza.
Jesus vem e da água faz vinho.

A água que nos é dada por Deus. O homem não faz água, apenas a usa.
Mas, é precisamente desse algo que Deus nos dá que Jesus faz o vinho. O vinho bom e melhor.

Como é bom deixar Maria e Jesus viverem e tomarem parte connosco no nosso casamento!
Deixar que Maria veja antes de nós o que nos faz falta e pedi-lo a Jesus.
Como é bom deixar que Jesus pegue em algo simples que Deus-Pai nos deu -  o amor - e fazer dele algo ainda mais extraordinário - o Amor Esponsal!

Jesus: Deus que entre nós habita; carne como nós...quando este Jesus se faz presente...quando o convidamos a tomar parte connosco na nossa festa...quantas graças recebemos! Quanto vinho bom Ele derrama em nossos corações!

Maria: "Fazei tudo o que Ele vos disser".
Este é o mandamento de Maria.

E nós? Não seremos esses servos a quem a Mãe dirige estas palavras? Com certeza.
Somos, sim, esses servos do nosso casamento a quem a Mãe diz "Fazei o que Ele vos disser."
E Ele diz: "Peguem nas vossas coisas, regras, normas, defeitos, preconceitos, vãs ilusões. Mas, peguem também nos vossos sonhos, qualidades, vontades, liberdades e promessas e ponham tudo dentro do vosso casamento. Eu direi uma só palavra e sereis salvos. Tudo quanto são; tudo quanto possuem Eu posso transformar em Amor. Amor maior. Amor eterno. Amor puro. Santo. Imaculado. Amor Esponsal: esta é a Graça que vos dou. Esta é a minha bênção. E a vossa festa não terá fim."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Porta do Céu: Maria

"Deus reuniu todas as águas e fez o mar; reuniu todas as graças e fez Maria"- S. Luís de Monforte

Jo 1, 29-51
Todo o cristão é testemunha de Cristo. A todos o Pai chama a testemunhar Cristo e a dizer como João diante de Jesus: "Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo."
Isto o dizemos a cada Santa Missa "Eis o Cordeiro de Deus."
Jesus imolou-se por nós para tirar o pecado do mundo. Por amor a Jesus nós nos imolamos para tirar o pecado de nós. Sem o nosso sacrifício o pecado continua em nós mas sem o sacrifício de Jesus jamais poderia sair de nós.
É preciso reconhecer que Jesus é o Cordeiro de Deus. É preciso afirmar que é Ele quem tira o pecado do mundo.
Porquê? Porque não somos capazes de o fazer sozinhos?
Porque razão a nossa inclinação para o bem não é suficiente?

Neste dia de Nossa Senhora talvez ela própria nos ajude a relembrar que nesta luta somos só combatentes. Não somos senhores da guerra e certamente também não somos senhores da paz. Maria recorda-nos a verdadeira dimensão desta batalha.
De resto, é bem visível que todas as nossas obras se corrompem facilmente apenas com o nosso humano: invejas, ciúmes, mentiras coabitam com a nossa generosidade, simpatia e verdade. As nossas grandes obras de amor e justiça sempre acabam impregnadas de vaidades, honrarias e poder. Tais defeitos são o mar preferido das nossas ações.

Por essa razão, o apostolado da ORAÇÃO deve ser o primeiro.
Só a escuta de Deus nos revela o caminho. Só Sua palavra aperfeiçoa o que há em nós. Só Sua luz ilumina o nosso melhor.
Rezar, rezar, rezar. Por amor, aniquilar o nosso pecado. Por amor, cultivar mais e mais o nosso coração.  Por amor deixar que a FÉ expanda a nossa alma, até reconhecermos JESUS como Filho de Deus.
O nosso apostolado de sacrifício e caridade serão apenas a nossa forma humana de dar testemunho desse Alguém maior (a quem não somos dignos nem de desatar a correia das sandálias) sobre Quem pousou o Espírito Santo e por Quem Ele se nos dá.

"QUE PROCURAIS?"
Eis a questão. Esta questão a coloca Jesus a cada um de nós que o segue.
É bom que saibamos a resposta. Ninguém se põe à toa a seguir o outro. O cristão não é nem louco, nem ignorante, nem tolo. O Cristão não anda à toa. "Que procurais?"

Os discípulos responderam com outra pergunta: "Rabi, ONDE MORAS?"
Não é esta também a nossa resposta?
Não é apenas isto que procuramos? Saber onde mora Jesus.
Seja dentro do nosso coração, seja no alto das montanhas ou na profundeza dos oceanos. Queremos estar nesse lugar onde mora Deus.

E Jesus responde interpelando: "VINDE VER".
Como amo esta resposta...vinde ver.
A todos Jesus convida a segui-lo. Também a cada um de nós Ele faz este convite. A cada dia.
É preciso ir. É preciso seguir Jesus: Ele nos levará à Sua morada e nos permitirá viver conSigo, nesse mesmo dia. Mas, é preciso querer. É preciso ir. Ir com Jesus.

No testemunho que damos desta nossa escolha, as nossas palavras devem ser tão certas e escassas como são as de André e de Filipe neste evangelho.
"Encontrámos o Messias" - disse André a seu irmão Pedro. Apresentou-o a Jesus e depois foi Jesus Quem tudo fez com Pedro.
"Encontrámos Aquele de quem Moisés escreveu na Lei e os profetas: é Jesus, filho de José." - disse Filipe a Natanael - "Vem e verás." E depois apresentou-o a Jesus e foi Jesus Quem tudo fez a Natanael.
Nós damos testemunho, como João Batista, de Jesus verdadeiro Deus é verdadeiro Homem - o Messias e o filho de José. Este é o Filho do Homem sobre o qual descem e sobem os anjos de Deus. Ele é a escada entre o Céu e a terra. Ele é o CAMINHO que conduz à VIDA. À vida de VERDADE: a VIDA ETERNA.

Esta escada que se estend do Céu até à terra entrou no mundo por uma PORTA: MARIA.
Maria, Senhora e Rainha da Paz; mãe do Cordeiro de Deus e mãe dos filhos dos homens. Ela é a Porta do Céu. Que conduz à escada por onde sobem e descem os anjos de Deus. Por meio da qual o próprio Jesus nos diz: "Vinde ver".

domingo, 10 de maio de 2015

A ARTE permeada pelo AMOR revela a PESSOA (parte II)

Que Corpo?

Em todas as considerações que fizermos sobre o corpo humano, há, em primeiro lugar, que definir "corpo".
De que realidade falamos quando nos referimos a corpo no seu contexto humano?

Aqui, no alcance destas reflexões sobre a arte e o corpo, tenho por horizonte a mesma imagem que S. Paulo tinha diante do seu olhar em 1COR 12, 18-25 e em Ef. 5: o corpo humano como reflexo da pessoa em toda a sua verdade e dignidade, assim como a humanidade é corpo de Cristo, reflexo da Sua Pessoa em toda a Sua Verdade. E ainda lhe acrescenta o corpo humano como templo do Espírito.

Este é um horizonte dificílimo.
É mesmo seguro dizer que a nossa inteligência não o alcança.
Será preciso uma expansão da nossa capacidade de entendimento para ver esta realidade sobre o corpo com a mesma transparência e simplicidade com que S. Paulo a descreve.
Para o apóstolo parece óbvio; nítido; simples: tal como o nosso corpo tem muitos membros e todos eles manifestam a pessoa que somos; assim os homens redimidos em Cristo são membros do Seu Corpo.
Esta é, com certeza, uma afirmação apenas possível se iluminada pela fé.

Primeiro, não há nada de óbvio em dizermos que os membros do nosso corpo manifestam quem somos. Para aqui chegar, será necessário ao homem, navegar no seu próprio mar interior e aí questionar «Quem sou?»

Segundo, afirmar que a humanidade redimida é corpo do próprio Deus, através do qual Ele mesmo se manifesta e do qual Ele é a cabeça, é quase impensável.
Creio que diante disto muitos "rasgassem as vestes". Aos cristãos, pede S. Paulo, que "rasguem a mente e o coração". Não em sinal de ofensa, mas em sinal de novo e pleno acolhimento. Tal como Cristo rasgou o pano do templo.
Para aqui chegar, será necessário ao homem, quietar-se diante do céu e aí questionar «Quem somos?», deixando que o céu responda.

A vergonha e a inocência

O facto de, objectivamente, todos nós dedicarmos aos membros "menos decorosos"  do nosso corpo um cuidado especial - um certo pudor - parece significar que reconhecemos existir em nós uma marca de vergonha.
S. João Paulo II, nas catequeses sobre a Teologia do Corpo, estabelece um elo entre esta vergonha pessoal de cada homem e mulher e a marca da vergonha inscrita no coração humano em consequência do pecado original. São de grande beleza as catequeses que o Santo Padre dedica a este tema e a sua leitura torna-se indispensável para acompanhar as conclusões.
A vergonha, afirma S. João Paulo II, parece apontar para uma desunião no corpo - entre os seus membros - e entre o corpo e a alma.
De facto, o homem e a mulher dedicam a alguns membros do corpo um cuidado tão diferenciado que se torna natural perguntar porquê. S. João Paulo II coloca essa questão. E procura respondê-la, à luz da Palavra e da novidade revelada por Cristo.

A vergonha natural que sente todo o homem e mulher e que se manifesta no cuidado especial com o seu corpo - e em particular com alguns dos seus membros mais do que outros - é para S. João Paulo II reflexo da marca da vergonha inscrita em todo o coração humano em consequência do pecado original. Mas, esta vergonha não deve actuar no homem - varão e mulher - como força castradora ou limitadora, antes deverá abrir caminho ao nascimento do respeito pelo corpo, em compreensão da verdade que este representa. Se o homem - varão e mulher - não reconhecessem que os membros do seu próprio corpo revelam a pessoa que cada um deles é, e alguns desses membros mais que outros, o homem não necessitava ter esse cuidado, esse pudor. Temo-lo porque de facto ao mostrar essa parte física de nós, revelamos muito mais do íntimo que somos. E é precisamente na revelação desse íntimo que está a nossa vergonha. Não porque seja defeituoso o nosso ser; mas porque o olhar do outro o distorce e não nos vê tal como somos.

O amor restabelece a confiança. O amor entre os esposos cria aquele ambiente no qual o olhar não se turva. Por isso, no amor os esposos não sentem vergonha. 
Tal como não sentia vergonha o Homem da inocência original de que lemos em Gn. 2,25 «...estavam ambos nus e não sentiam vergonha...»
Esta expressão significa que no princípio o homem - varão e mulher - não sentiam vergonha diante um do outro porque não conheciam aquela desunião entre o seu corpo e a sua alma; entre o corpo e a alma do outro e, principalmente, entre o corpo do primeiro e a alma do segundo.

O Amor- o insuspeitável substrato da comunhão de pessoas

S. João Paulo II afirma que «à harmonia objectiva de que o Criador dotou os corpos (...) correspondia uma harmonia análoga no íntimo do Homem: a harmonia "do coração"». Esta harmonia entre o objectivo e o subjectivo do ser humano era permitida precisamente pela «pureza de coração».
E era esta «pureza de coração» que lhes permitia experienciarem, fisicamente, a força unitiva dos seus corpos que «era por assim dizer o "insuspeitável substrato" da sua união pessoal ou communio personanum».
Isto é, a pureza de coração que, no estado de inocência original, correspondia a uma perfeita harmonia entre o corpo - objectivo - e a alma - subjectivo - consentia ao homem e à mulher experimentarem na força unitiva dos seus corpos a plena comunhão de pessoas manifestada na plena comunhão de coração.
Nesse acontecimento eram os dois "uma só carne". Um só corpo. 

Sabendo que a pureza de coração é dom de Deus, esse "um só corpo" realizava-se não apenas de um com o outro, mas dos dois em uníssono com Deus Trino.
Nesse acontecer tudo no Homem - toda a sua humanidade manifestada da unidualidade da feminilidade e da masculinidade - era UM com o todo de Deus. Homem e mulher feitos UM com Deus-Pai, Filho e Espírito.

Este é o horizonte da fé cristã. A luz com que se ilumina o pensar do Homem a respeito de si mesmo e do outro semelhante a ele.
Chamo horizonte a esta conclusão porque ela é mais do que uma imagem.
Ela é, como o próprio horizonte, ampla, imensa. E deixa antever para lá dela uma outra verdade que às escuras vamos intuindo, mas que havemos de ver mais clara.

Se aceitarmos esta verdade sobre o homem e a mulher; sobre a sua união; sobre o que torna visível os seus corpos, estamos como o homem que contempla o céu estrelado.
Não pode este homem ao contemplar o céu imenso, todo estrelado, satisfazer-se com respostas pequenas. A evidente imensidão do céu o conduz na busca de respostas mais verdadeiras, que pareçam estar em justa medida com a plenitude que este homem tem diante do seu olhar. E mesmo para lá do que vê, sabe existir um tanto ainda maior de céu.

Sei que existe o que não vejo, porque a imensidão do que vejo me leva a concluir haver ainda muito mais para lá da finitude do meu olhar. 

Por isso, desafio a minha limitação e vou construindo lunetas e telescópios e radares e sensores e lasers e sigo atrás daquilo que há muito já me foi revelado pela intuição.
Da mesma forma, o Homem, cujo entendimento foi iluminado pela fé, não se satisfaz, nem se aceita com explicações pequenas de si mesmo. A evidente imensidão de quem é, o conduz na busca de respostas mais verdadeiras que o colocam diante da justa medida da plenitude que ele sente no seu coração.

De que forma, pode a arte colocar-nos diante da evidente imensidão do homem?

Se trespassada pela fé, a arte, ao representar a união dos corpos, manifestará o amor e a pureza apontado para a comunhão de pessoas. Ou representará a vergonha, colocando em relevo tudo o que à nossa volta distorce o nosso olhar, o nosso entendimento e o nosso coração.
E na sua objetiva busca pela verdade há-de conduzir-nos ao questionamento, forçando-nos a escolher caminhos, a defender a Verdade e a repudiar a mentira.