domingo, 23 de julho de 2017

O Amor não é uma seca!


Aqueles que não acreditam em Deus dizem que o amor vivido como Deus propõe É UMA SECA! Privador de liberdades pessoais, de escolhas e de vontades. E como o amor NÃO É PARA SER UMA SECA, propõe estes iluminados defensores da liberdade que se retire Deus do Amor.
retirámos...


Retirámos Deus do casamento, do namoro, da amizade e até dos relacionamentos tipo "a ver se dá" ou "até quando Deus quiser". 
Retirámos Deus de tudo. 
E como Deus é Amor e outra coisa não pode ser que não seja amor, retirar Deus desta equação equivale a retirar dela o Amor. Então, todos os relacionamentos humanos foram esvaziados do Amor. 
Até do sexo retirámos Deus.
Aquele gesto que havia de ser o auge do relacionamento mais íntimo entre o homem e a mulher foi esvaziado do Amor, para se tornar assim um ato tão nojento quanto indescritível. Parece haver mais beleza na forma como a macaca se relaciona com o macaco e como juntos fazem macaquinhos do que há na forma como alguns seres-humanos assumem relacionar-se sexualmente. 

E, paradoxalmente, no meio deste mundo em que agora vivemos...Deus parece ser o único a elevar-se e a gritar: "O AMOR NÃO É UMA S.E.C.A. - o Amor não é Sexo Estúpido Canibal e Auto-destrutivo".
Desde o princípio que Deus diz que o Amor é total, livre, fiel e fecundo. Isso é o Amor.

Este sábado, lendo os artigos de uma expressiva revista de um jornal semanal português, fiquei surpreendida com dois artigos: um sobre gente; outro sobre coisas.
Paradoxalmente, fiquei a pensar se aquilo que se diz sobre as coisas não devia ser dito sobre gente. Afinal, ainda pertenço ao grupo daqueles que consideram as pessoas superiores às coisas. Um grupo em vias de extinção (ou não!) cuja aguerrida teimosia é assumir o inequívoco e inquestionável valor das pessoas. "Assumidamente e custe o que custar" (assim termina o artigo sobre coisas).

Senão vejamos alguns excertos dos dois artigos. 
Vamos começar pelo artigo que utiliza as palavras mais brutas e obscenas. Vamos começar por aquele artigo que trata o assunto de forma mais banal, como se o tema em si não merecesse nada melhor, ou como se não houvesse nada melhor a dizer sobre o tema.
Poderíamos pensar que esse é o artigo que fala das coisas e estaríamos totalmente errados.

Gente que mais parece coisa...
O primeiro artigo fala de gente. De gente que parece ter esquecido que é pessoa. Pessoas que se tratam a elas próprias tão mal, com tanto desprezo, como outras pessoas não tratam coisas.
E poderíamos pensar que esta gente está doente (e a bem da verdade, sim penso que estão doentes) com alguma maleita cerebral que lhes roubou a faculdade pensativa... e estaríamos totalmente errados.
Esta gente fala como se nos estivesse a descrever a sétima maravilha da tecnologia! Parvo de quem não faz parte dos milhões que já experimentou o poder libertador do sexo estúpido canibal e auto-destrutivo (s.e.c.a.).

Coisas que parecem gente...
Terminaremos com as palavras doces e distintas do segundo artigo empregadas a coisas. Não há nada de mal em usar estas palavras delicadas em coisas. Acho até muito bem. Ficamos a desejar essas coisas, nutrindo um ensejo bom que nos impele a estimar e cuidar dessas coisas únicas e especiais... nossas, só nossas. 

A questão está em que ao ler o segundo artigo fiquei a pensar no motivo pelo qual já não dizemos estas palavras sobre pessoas? Temos medo? De que temos medo?!

Senhas de papel: a "sua" vez
Na imagem do primeiro artigo vê -se um dispensador de senhas de papel a acompanhar um título sugestivo "Love me, Tinder" e um subtítulo a apelar à leitura "Numa era em que sexo é tão acessível como um hambúrguer do Mcdonald's, as aplicações móveis de encontros estão a revolucionar a forma como nos relacionamos..."
Aqui já sabemos ao que vamos. Mais uma artigo deprimente sobre sexo em que um punhado de pessoas entrevistadas faz crer que as suas práticas sexuais animalescas e estapafúrdias são a última Coca-Cola fresquinha no deserto.

A maioria das pessoas que ler este artigo vai abrindo a boca em espanto à medida que lê e abanando a cabeça em sinal de maior espanto e desaprovação, mas chegarão ao final dizendo um tão somente "bem...cada um faz o que quer...".

E vamos ficando indiferentes e insensíveis a tudo o que nos rodeia. Como se o que nos rodeia não tivesse poder de nos afectar.
Nada mais errado.
Estes comportamentos apregoados como se fossem liberdades fundamentais acabam chegando aos nossos ouvidos. Chegam também aos ouvidos e olhos dos nossos filhos e filhas, maridos, pais, irmãos... e a todos nos roubam a alma. A todos perturbam o coração. A todos nos fazem crer que somos coisas descartáveis, vis, efémeras. A todos nos roubam o olhar. A todos nos destroem a capacidade mais humana que temos de nos elevarmos acima do universo e gritar: "Pára!"

Gabriela...
O primeiro artigo começa assim: "Gabriela, 32 anos, estava no último dia de viagem pelo Alentejo. À noite, estacionada no meio de nenhures, pegou no telemovel para matar o tédio.(...) "Fui ter com um puto de 26 anos, forcado. Fomos fo*** para os campos de trigo, na parte de trás do carro dele..." Era a primeira vez que se encontravam. Tinham começado a trocar mensagens de telemóvel no dia anterior. A confissão poderá chocar as mentes mais conservadoras,..."

Pergunta óbvia: mentes mais conservadoras? ???!!!
A confissão deverá chocar qualquer um! Mas, desde quando é que este comportamento deixou de chocar?!
A rapariga -adulta por sinal- estava com tédio - tadinha- e assim encontrou forma mesmo ali de aliviar o tédio. E o jornal ainda afirma que só as mentes mais conservadoras ficarão chocadas. As outras não. E já agora, quem são as outras mentes?
Tanto para ele, como para ela, aquele episódio não passa de mais uma senha arrancada do dispensador. Mais um cromo na caderneta. Mais uma coisa comida e cuspida. Sem nome. Sem rosto. Sem nada.

Ficamos a saber logo nas primeiras linhas que esta aplicação móvel é usada por mais de 50 milhões de pessoas (será que são mesmo?) em todo o mundo e que existem várias outras parecidas com vários milhões de utilizadores (ora aqui está uma palavra mais adequada à realidade).
E ficamos a saber mais: que estes utilizadores todos estão permanentemente à procura de uma coisa (ou seja só recorrem a estas aplicações com um objetivo) - encontrar o par perfeito. (a sério?...)

Uma breve explicação sobre a forma fácil e intuitiva de utilizar a aplicação e logo compreendemos como se escolhe o par perfeito: "à medida que os rostos vão aparecendo no ecrã ... é só deslizar o dedo para fazer a escolha... para a direita se a pessoa lhe agrada, para a esquerda se não é o que procura."
Já vi gente demorar mais tempo a escolher papel higiénico no supermercado.
Conheço produtores de carne que exigem mais informação (do que só uma foto e informações de perfil) para adquirir uma vaca.



É preciso tempo... muito tempo
Tempo é o que parecem ter e valorizar os protagonistas do segundo artigo, que não se importam de esperar e suportar a espera, para terem a certeza que encontram e adquirem mesmo o que procuram.
E se por acaso não encontram o que querem, não têm medo de se fazer ao "mar desconhecido" e com as suas próprias mãos, suor, esforço e dedicação produzirem o que desejam. Transformam então o seu saber-fazer em arte e procuram levá-la à perfeição, compreendendo que o valor inquestionável das suas obras reside, precisamente, no facto de serem únicas e exclusivas, fruto do saber e do trabalho humano que pela perseverança e determinação se torna um tesouro útil, admirável e estimável.
Atenção: falo de coisas! O segundo artigo fala de coisas!


Esta é a história do primeiro protagonista do segundo artigo: há dois anos que Peter procurava um globo terrestre para oferecer ao seu pai pelo seu 80º aniversário. Como não encontrou o que queria, com a qualidade que queria, pôs mãos-à-obra e começou ele mesmo a fazer a esfera do mapa-mundi.

Dois anos à procura de uma coisa? Deve ter visto milhares. Mas, a sua escolha era rigorosa, afinal tratava-se de escolher uma prenda para o seu pai. Não encontrou feito. Não encontrou pronto a comprar. Então, resolveu aprender, pesquisar, fazer. Dedicou tempo e tornou-se o mais cotado e habilitado fazedor de globos do mundo. "Verdadeiras obras de arte" -afirma o artigo - que "podem custar entre 1200 libras a 79 mil ... Há -os em todo o mundo"


Há-os em todo o mundo...
E aqui já estou a pensar porque motivo não se fala assim sobre namoro, casamento, ou até mesmo sobre sexo?
Pessoas capazes de saber que o relacionamento íntimo é como uma prenda que se quer oferecer a alguém muito especial. Para esse alguém muito especial só o melhor serve. Não importa se é preciso esperar dois anos para encontrar, ou cinco ou dez.
Importa que esse alguém não estará pronto a comprar. Assim, como nós não estamos prontos. Será preciso primeiro investir tempo na arte de aprender a amar. É preciso conhecer, aprender com os melhores. Só com dedicação e determinação poderemos chegar a conhecer pessoas que são verdadeiras obras de arte, porque são feitas dos melhores materiais - que no caso humano é o amor, tanto próprio, como pelo outro. "Há-os em todo o mundo. Os grandes apreciadores são reis e rainhas..."
Assim, como parecem ser hoje "reis e rainhas" aqueles que no mundo apreciam um amor total, livre, fiel e fecundo.

O Peter do segundo artigo ama-se e claramente ama o pai.
A Gabriela do primeiro artigo nem sabe o significado da palavra auto-estima. Aliás, nem sabe o significado da palavra vergonha, porque senão não se ria quando afirma "sempre brinquei que parecia um talho" (afinal ela até sabe a verdade...será que chegou a esta conclusão por si mesma?!) e continua "onde vais escolher o melhor naco... A app não é só um veículo de sexo fácil" (não? Serve para quê, então?) "depende da pre-disposição de cada um, defende. Às vezes, depende também muito da quantidade de álcool que ingeriste, ri-se." (Ora aí está).


NACO: um pedaço de carne

O primeiro artigo está cheio de gente que não se importa de ser entendida como um pedaço de carne, nem de apenas "comer" a migalha da carne do outro. O primeiro artigo está cheio de exemplos de utilizadores que não se importam de fazer parte de um jogo "fácil e rápido  onde chegam a rodar por mais do que três ou quatro no mesmo dia, que já estiveram com outros três ou quatro ou mais.

A meio do artigo ficamos mesmo com a ideia de estarmos a falar de uma associação de prostituição voluntária. Já não é preciso pagar para fo*** com uma gaja qualquer no meio de nenhures, basta escolher um desses nacos que se oferecem gratuitamente nas app's móveis. (Será que a indústria porno já percebeu isto?! Parece um pouco mau para o negócio...ou não.)

Mas, como os utilizadores destas coisas gostam de desculpar-se dizendo que apenas estão buscando o "par perfeito", o primeiro artigo arranja um ou outro exemplo de um par de utilizadores que efetivamente encontrou a cara metade e a felicidade eterna.
No meio de milhões e milhões de encontros marcados através desta coisa, há um ou outro que encontra  a cara metade (será mesmo?), o que prova a eficácia deste método para encontrar o par perfeito. Será que tem cabimento perguntar se esta gente se engana a si mesma com esta conversa da treta ou se é mesmo só conversa da treta como aquelas que têm os adolescentes quando são apanhados pelos pais a fazer o que não devem?
Personalidade adolescente é o melhor que se pode dizer sobre estes adultos.

Exigir a perfeição: "Sê perfeitos como o vosso Pai do céu é perfeito"

Voltando ao segundo artigo, Peter, não hesita em afirmar que existe no mundo "um número limitado de gente que exige a perfeição é só quer o que é único ".
É exatamente o mesmo que se pode afirmar sobre as pessoas que procuram o amor total, livre, fiel e fecundo. São "um número limitado de gente que exige a perfeição e só quer o que é único".
Pessoas que procuram pessoas. Que sabem que isso exige a presença "da mão humana e dos saberes acumulados ao longo de séculos". Pessoas que sabem que " nem tudo o que luz é ouro...e onde a exclusividade é um bem essencial".


Estas pessoas sabem que produzir uma obra de arte requer muito tempo. É preciso "desenhar algo o mais parecido com a personalidade".
Também no amor é preciso encontrar a pessoa mais parecida com a personalidade de cada um...não que tenhamos de ser todos iguais, mas sim que tenhamos de encontrar aquela pessoa que nos complementa e a quem nós complementamos. Trabalho a ser feito ao longo de uma vida. Trabalho artesanal, feito com as mãos e o coração. Feito com "dedicação e aprendizagem (...) e tempo, muito tempo."

O Amor é exclusivo
"No campo da exclusividade é natural que haja um processo de aproximação entre o artesão e o cliente". E numa história de amor em busca do "par perfeito" não é natural que haja um processo de aproximação chamado namoro, que serve exatamente para as pessoas se conhecerem, descobrirem a história de cada um, partilharem sonhos e metas?
Quando foi que deixámos de entender o namoro como um tempo de espera e de conhecimento necessário até podermos dizer: o nosso amor "demorou um tempo suficiente a fazer para que a história se desenvolva. Durante esse período (houve) múltiplos contactos e um envolvimento cada vez maior até à efectiva aproximação " que se dará no vínculo mais estável e duradouro do matrimónio.

Os artistas do segundo artigo, ao contrário dos pedaços de carne do primeiro, comprometem-se com todas as fases do trabalho, garantindo que são feitas à mão e que todos os materiais utilizados "além de uma qualidade notável, sejam produtos naturais" .

Aquele número limitado de pessoas que procura amar uma pessoa única também não tem receio em comprometer-se com todas e em todas as fases do Amor, garantindo que nelas apenas são utilizadas as qualidades mais notáveis e respeitadas as características naturais que fazem do homem e da mulher um ser capaz de amar de forma verdadeiramente livre e total.

Precisamos de pessoas; orgulhosas em ser pessoas; encantadas por serem pessoas; respeitadas enquanto pessoas. Pessoas que "voltam a pensar que mais não é melhor."
Pessoas que regressem " ao gosto pelo trabalho do artífice de alta qualidade" . Pessoas que sentem a "frustração de toda a gente calçar os mesmos sapatos, pôr os mesmos chapéus e vestir a mesma roupa". Pessoas que se interessam por "coisas que realmente importam" e que sejam "um reflexo dos nossos valores".



Os relacionamentos são, mais do que as coisas, um reflexo dos nossos valores.
Acredito que - tal como afirma Peter sobre as coisas - "as pessoas estão a ficar cansadas de ter toneladas de produtos baratos por todo o lado". Poderíamos facilmente substituir produtos baratos por gente descartável e a frase faria um sentido imenso: as pessoas estão a ficar cansadas de ter gente descartável por todo o lado.

E Peter continua (a falar sobre coisas) "Aquilo, que querem hoje para as suas casas são produtos personalizados e individuais. A manufatura está em alta e os artesãos também pois só eles podem oferecer isso mesmo. E de facto, há tantas competências maravilhosas, artífices extraordinários, habilidades e aptidões, perícia e destreza, aquilo que sempre fez parte do saber de cada profissão."

E nós continuamos: aquilo que as pessoas querem hoje para as suas vidas são pessoas com competências maravilhosas, artífices extraordinários, cheios de habilidades e aptidões, perícia e destreza. Qualidades capazes de se combinarem para tornar duas pessoas que se amam numa só. Duas pessoas que se amam e que por via do relacionamento mais íntimo vivido como um presente, um dom, uma dádiva, chegam à felicidade mais autêntica - aquela que nos torna artífices uns dos outros. O esposo da esposa e juntos dos filhos, obras-primas do seu amor total, livre, fiel e fecundo.

Uma obra de arte


Pessoas únicas que amam aquilo que é bem feito e que estão dispostas a sacrificar-se por isso, assim como os clientes do Peter estão dispostos a pagar uma fortuna por um globo terrestre. É que aquela pessoa, aquele relacionamento e os filhos que dele nasceram, são todo o mundo. São o que de mais importante existe. Estas pessoas não têm receio de afirmar -se assim porque conhecem o bom senso.  Não se trata de encher os filhos de atenção desmedida, nem de idolatrar o cônjuge. Trata-se de viver o amor de forma autêntica, sem recear colocar nisso toda a nossa vida, num compromisso duradouro e bom.
Trata-se de ser perfeccionista desejando colocar em cada dia apenas o melhor de nós: a nossa melhor paciência, a nossa melhor vontade, a nossa melhor alegria.

Esta gente é sem duvida um número limitado. "Uma elite que quer continuar a sê-lo. Assumidamente e custe o que custar".

Assim é o amor em que Deus está presente: uma verdadeira obra de arte.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Teologia do Corpo | Programa #03


Os dois serão uma só carne

UAU!!! Adão diante de Eva exclama com surpresa
"esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne"
O amor que une os dois é tal que se tornam UMA só carne.

Tal é a dimensão do amor humano! Deus não nos fez por menos. Fomos feitos para as coisas do ALTO!



sábado, 26 de novembro de 2016

Consciência familiar

A consciência é, por definição, pessoal, mas será que pode existir tal coisa como uma consciência familiar? Será que a consciência pessoal se forma no íntimo da pessoa ou no íntimo da família?

Creio que é no íntimo da família que a consciência se vai formando. A consciência não se pode formar livremente num ambiente de leis e normas, antes carece de um ambiente de respeito e de amor onde o sentido da existência vai sendo adquirido na partilha e na experiência.

A família é o berço do amor. 
A família que ama é o berço do espanto.
É só este espanto pode elevar o homem acima do universo e fazê-lo gritar: Quem sou?

A família é esse único lugar movido exclusivamente pelo amor. (ou apenas nessa circunstância havia de se chamar família).

É ali onde somos queridos por nós mesmos, apesar dos nossos defeitos e qualidades, que experimentamos o Amor-dom, o Amor-comunhão que nos desafia a crescer nas virtudes e no bem-comum.
Acredito profundamente que só este amor-dom pode formar um futuro médico ou um futuro professor com sentido de missão. Sem esta experiência de amor puro seriamos todos apenas profissionais movidos por dinheiro. E então como um médico apenas movido por dinheiro pode cuidar de um doente em fim de vida? Quanto é preciso pagar? 
Quanto é preciso pagar a um professor para educar os nossos filhos?
Por muito que o dinheiro seja necessário ele em si mesmo não acrescenta nada as nossas vidas.
Todos o usamos como meio de troca.

Educar no amor, preparar para o amor, é a mais bela missão da família. Aquilo que ela tem único é sublime. À volta desta missão todos são chamados a participar: pais, avós, tios, ...

Somos seres interdependentes. A nossa interdepencia grita acima do nosso egoísmo. Mas, a interdependência de que somos "dependentes" é aquela que só os relacionamentos de amor e amizade são capazes de construir. 
Onde pode o homem treinar os relacionamentos de amor senão na família?

Precisamos de famílias disponíveis para os relacionamentos pessoais e íntimos. Tecidos com fios de ouro. Construídos com tempo e estima, atenção e conversa, ternura e afeto.

Talvez seja este o maior drama da família hoje: a falta de tempo. 
Talvez seja precisamente este o maior desafio de cada um de nós, dedicar tempo. Tempo para a estima, para o abraço, para o beijo. Tempo para fazer companhia, para conversar, para pensar. Tempo para a ternura. Tempo para dizer amo-te.

Tempo para construir com fios de ouro essa consciência familiar que transforma seres-humanos em pessoas. Pessoas capazes de AMAR. 

E devia ser esse o nosso único grande objetivo: ser capaz de amar de forma total, livre e fiel. Ser capaz de amar de forma fecunda. Ser capaz de amar descobrindo no amor o filho que somos, o irmão que somos, o pai e a mãe que somos.

No final se a vida nos correr bem são essas as pessoas que mais desejaremos ver no céu.

E que consciência familiar precisamos afinal? 
Apenas de uma. Aquela que orienta o homem para a virtude e para o bem-comum. Aquela através da qual cada um de nós se eleva acima da sua própria e limitada existência e se faz amor para todos.

Aque

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Teologia do Corpo | Progrma #02

Homem e Mulher os criou

"O Amor é o berço do espanto."
Hoje há muitas pessoas à procura do que é misterioso... o mistério está para além de nós e em nós. 
O homem e a mulher, um diante do outro, descobrem e contemplam esse mistério escondido em seu coração desde sempre. Descobrem-no muito mais quando se relacionam numa entrega de amor esponsal, amor dom.

Neste programa conversamos com Padre Miguel Pereira sobre a imagem e semelhança inscritas no coração humano.



quarta-feira, 27 de abril de 2016

Teologia do Corpo | programa#1

O meu corpo não é uma coisa. O meu corpo é uma pessoa.
 O meu corpo sou eu.
"O corpo e só ele torna visível o invisível" S. João Paulo II 
A Canção Nova oferece-nos este presente, uma série de programas dedicadas à Teologia do Corpo. 
Para mim, é um presente de Deus, pelo qual sou grata, por me deixar servi-Lo assim... Peço a Deus que deste "nosso" pouco faça muito, para maior honra e glória do Seu nome, para nosso bem e da Igreja.



sábado, 2 de janeiro de 2016

Fazei tudo o que Ele vos disser

"Somos pedaços de um sonho, filhos do universo,
Somos das estrelas poemas, escritos num verso."

Jo 2, 1-5
Primeiro há este casamento.
Casamento de Adão e Eva; casamento de Cristo com a Igreja; e pelo meio este casamento de canã onde Jesus realiza o primeiro milagre.
O casamento de Adão e Eva é manchado pelo pecado. Eva deixa-se seduzir pela mentira, pela possibilidade de ser mais do que já é. Adão que acusa Eva:" a mulher que Tu me deste é que me fez pecar." Sedução, mentira e acusação continuam ainda hoje a ser causa de tanta dor, de tanto desentendimento e divórcio. Causa de tanto impedimento ao amor. Causa de tão grandes feridas.

O casamento de Cristo com a Igreja é esse grande casamento que todos desejamos: união total, livre, fiel e fecunda. Esse casamento livre de mancha, onde a união é perfeita. Onde o amor é verdadeiramente Esponsal, puro e imaculado.

Pelo meio vários casamentos vão decorando a Bíblia sempre nos ensinando passo-a-passo a realizar o casamento humano no plano divino.

Sara e Tobias que nos ensinam a vencer a morte com a oração em casal. A oração que pelo seu poder faz o amor (de Cântico dos Cânticos) ser mais forte que a morte.
E Canã que nos ensina a deixarmos Maria e Jesus tomarem parte e a intervirem em nosso casamento.

Maria, mãe solicita, que sabe o que nos faz falta mesmo antes de nós darmos conta disso.

O vinho: esse elemento que decora as nossas festas. Fruto do trabalho do homem. Trabalho de perícia, paciência, paixão e empenho. Trabalho de aperfeiçoamento. Trabalho conjunto do homem com a natureza.
Jesus vem e da água faz vinho.

A água que nos é dada por Deus. O homem não faz água, apenas a usa.
Mas, é precisamente desse algo que Deus nos dá que Jesus faz o vinho. O vinho bom e melhor.

Como é bom deixar Maria e Jesus viverem e tomarem parte connosco no nosso casamento!
Deixar que Maria veja antes de nós o que nos faz falta e pedi-lo a Jesus.
Como é bom deixar que Jesus pegue em algo simples que Deus-Pai nos deu -  o amor - e fazer dele algo ainda mais extraordinário - o Amor Esponsal!

Jesus: Deus que entre nós habita; carne como nós...quando este Jesus se faz presente...quando o convidamos a tomar parte connosco na nossa festa...quantas graças recebemos! Quanto vinho bom Ele derrama em nossos corações!

Maria: "Fazei tudo o que Ele vos disser".
Este é o mandamento de Maria.

E nós? Não seremos esses servos a quem a Mãe dirige estas palavras? Com certeza.
Somos, sim, esses servos do nosso casamento a quem a Mãe diz "Fazei o que Ele vos disser."
E Ele diz: "Peguem nas vossas coisas, regras, normas, defeitos, preconceitos, vãs ilusões. Mas, peguem também nos vossos sonhos, qualidades, vontades, liberdades e promessas e ponham tudo dentro do vosso casamento. Eu direi uma só palavra e sereis salvos. Tudo quanto são; tudo quanto possuem Eu posso transformar em Amor. Amor maior. Amor eterno. Amor puro. Santo. Imaculado. Amor Esponsal: esta é a Graça que vos dou. Esta é a minha bênção. E a vossa festa não terá fim."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Porta do Céu: Maria

"Deus reuniu todas as águas e fez o mar; reuniu todas as graças e fez Maria"- S. Luís de Monforte

Jo 1, 29-51
Todo o cristão é testemunha de Cristo. A todos o Pai chama a testemunhar Cristo e a dizer como João diante de Jesus: "Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo."
Isto o dizemos a cada Santa Missa "Eis o Cordeiro de Deus."
Jesus imolou-se por nós para tirar o pecado do mundo. Por amor a Jesus nós nos imolamos para tirar o pecado de nós. Sem o nosso sacrifício o pecado continua em nós mas sem o sacrifício de Jesus jamais poderia sair de nós.
É preciso reconhecer que Jesus é o Cordeiro de Deus. É preciso afirmar que é Ele quem tira o pecado do mundo.
Porquê? Porque não somos capazes de o fazer sozinhos?
Porque razão a nossa inclinação para o bem não é suficiente?

Neste dia de Nossa Senhora talvez ela própria nos ajude a relembrar que nesta luta somos só combatentes. Não somos senhores da guerra e certamente também não somos senhores da paz. Maria recorda-nos a verdadeira dimensão desta batalha.
De resto, é bem visível que todas as nossas obras se corrompem facilmente apenas com o nosso humano: invejas, ciúmes, mentiras coabitam com a nossa generosidade, simpatia e verdade. As nossas grandes obras de amor e justiça sempre acabam impregnadas de vaidades, honrarias e poder. Tais defeitos são o mar preferido das nossas ações.

Por essa razão, o apostolado da ORAÇÃO deve ser o primeiro.
Só a escuta de Deus nos revela o caminho. Só Sua palavra aperfeiçoa o que há em nós. Só Sua luz ilumina o nosso melhor.
Rezar, rezar, rezar. Por amor, aniquilar o nosso pecado. Por amor, cultivar mais e mais o nosso coração.  Por amor deixar que a FÉ expanda a nossa alma, até reconhecermos JESUS como Filho de Deus.
O nosso apostolado de sacrifício e caridade serão apenas a nossa forma humana de dar testemunho desse Alguém maior (a quem não somos dignos nem de desatar a correia das sandálias) sobre Quem pousou o Espírito Santo e por Quem Ele se nos dá.

"QUE PROCURAIS?"
Eis a questão. Esta questão a coloca Jesus a cada um de nós que o segue.
É bom que saibamos a resposta. Ninguém se põe à toa a seguir o outro. O cristão não é nem louco, nem ignorante, nem tolo. O Cristão não anda à toa. "Que procurais?"

Os discípulos responderam com outra pergunta: "Rabi, ONDE MORAS?"
Não é esta também a nossa resposta?
Não é apenas isto que procuramos? Saber onde mora Jesus.
Seja dentro do nosso coração, seja no alto das montanhas ou na profundeza dos oceanos. Queremos estar nesse lugar onde mora Deus.

E Jesus responde interpelando: "VINDE VER".
Como amo esta resposta...vinde ver.
A todos Jesus convida a segui-lo. Também a cada um de nós Ele faz este convite. A cada dia.
É preciso ir. É preciso seguir Jesus: Ele nos levará à Sua morada e nos permitirá viver conSigo, nesse mesmo dia. Mas, é preciso querer. É preciso ir. Ir com Jesus.

No testemunho que damos desta nossa escolha, as nossas palavras devem ser tão certas e escassas como são as de André e de Filipe neste evangelho.
"Encontrámos o Messias" - disse André a seu irmão Pedro. Apresentou-o a Jesus e depois foi Jesus Quem tudo fez com Pedro.
"Encontrámos Aquele de quem Moisés escreveu na Lei e os profetas: é Jesus, filho de José." - disse Filipe a Natanael - "Vem e verás." E depois apresentou-o a Jesus e foi Jesus Quem tudo fez a Natanael.
Nós damos testemunho, como João Batista, de Jesus verdadeiro Deus é verdadeiro Homem - o Messias e o filho de José. Este é o Filho do Homem sobre o qual descem e sobem os anjos de Deus. Ele é a escada entre o Céu e a terra. Ele é o CAMINHO que conduz à VIDA. À vida de VERDADE: a VIDA ETERNA.

Esta escada que se estend do Céu até à terra entrou no mundo por uma PORTA: MARIA.
Maria, Senhora e Rainha da Paz; mãe do Cordeiro de Deus e mãe dos filhos dos homens. Ela é a Porta do Céu. Que conduz à escada por onde sobem e descem os anjos de Deus. Por meio da qual o próprio Jesus nos diz: "Vinde ver".